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Português 2
8º Ano
GÊNERO TEXTUAL





CRÔNICA: QUEM MATOU ABEL?



O inspetor escolar, para verificar o conhecimento geral dos alunos, entra na sala de aula. Interrompe a professora de Ensino Religioso e pergunta:

-- Alguém sabe me dizer quem matou Abel?

A sala permanece em silêncio. Ninguém se atreve a responder. O inspetor insiste na pergunta, agora dirigindo -se a um aluno:

-- Pedrinho, quem matou Abel?

O Pedrinho, suando frio, responde:

-- Juro pro senhor que eu não fui. Ando com esse canivete no bolso, mas é só pra apontar o lápis!

O inspetor, surpreso com a resposta do aluno, dirige-se à professora:

-- Dona Marlene, a senhora ouviu o que ele disse?

-- Ouvi sim senhor, seu Percival, mas eu conheço o Pedrinho desde que nasceu. Se ele disse que não matou, é porque não matou! Esse guri aí não mente, pode ter certeza.

Indignado, o inspetor sai da classe e se encaminha à diretoria:

-- Dona Gertrudes, eu exijo uma explicação!

A diretora, estranhando o procedimento do inspetor, pergunta:

-- O que aconteceu, seu Percival?

-- Eu fui à sala da professora Marlene e perguntei a um aluno quem é que tinha matado Abel. E sabe o que ele respondeu? Que não tinha sido ele. E o pior de tudo é que a professora concordou!

A diretora coloca a mão no ombro do inspetor, tentando acalmá-lo:

-- Olha, inspetor, eu não conheço muito bem o menino, mas, se a professora disse que não foi ele, o senhor pode ficar tranquilo. E, no mais, aquele menino é uma criança, ele não faria uma coisa dessas.

Enfurecido, o inspetor vai à Secretaria de Educação. No gabinete do secretário, relata, tintim por tintim, toda a história:

-- E foi isso que aconteceu. Dá pra acreditar?

O secretário, abismado com o acontecido, não quis acreditar:

-- O senhor tem certeza? É muito difícil acreditar que uma criança tenha cometido tal crime! Talvez fosse melhor entregar o caso à polícia. Tenho certeza de que o delegado tomará as providências necessárias.

Desesperado, o inspetor invade a sala do governador. Ele, por sua vez, ouve toda a história. No final, tenta tranquilizá-lo:

-- Pode ficar tranquilo, senhor Percival. Nós acharemos o verdadeiro culpado. A justiça falha, mas não tarda! Quero dizer, tarda, mas não falha! Pode ter certeza de que quem matou Abel será punido, eu prometo!

O inspetor está agora totalmente transtornado:

-- Pelo amor de Deus! Eu não posso acreditar no que estou ouvindo!

Sem se preocupar com o local, ele grita:

-- Caim e Abel eram filhos de Eva! O senhor nunca leu a Bíblia?!

O governador, aliviado, dá uma bronca no inspetor:

-- Ah! Está na Bíblia, é? Ora, então já devem ter arquivado o processo! Eu tenho mais o que fazer, passar bem!

Alexandre Azevedo.



Entendendo o texto

1. Vamos observar as personagens do texto.
a) Quais são as personagens que participam da história?

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b) Quem é a personagem mais importante? Por quê?

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c) O narrador também é personagem?

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2. O inspetor escolar queria verificar o conhecimento geral dos alunos e ficou surpreso ao perceber que eles não conheciam a história de Caim e Abel.
a) De acordo com o texto, o que significa não conhecer essa história bíblica?

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b) Apenas os alunos não tinham bom conhecimento geral? Quem mais confundiu a morte de Abel com um crime comum?

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c) Podemos afirmar que, utilizando o humor, o autor critica todos os que participam do funcionamento das escolas? Retire dois trechos do texto que comprovem a sua resposta.

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3. Todos os conhecimentos que temos são aprendidos na escola? Por quê?

Resposta pessoal do aluno.